Carnet de routes et de chemins

La Constellation des Intranquilles

Esqueci-me de filmar estas férias. Guardei todos os dias, no bolso de pele que trago de encontro ao peito.

Estávamos todos lá, presentes e ausentes, partidos e recém chegados. Mesmo nas casas vazias, de venezianas fechadas, sem espreguiçadeiras nos balcões, nem toalhas no varal, vi-nos a todos, a limpar a areia dos pés, a caminhar em bandos de crianças soltas como gaivotas, atirando gargalhadas como quem atira sementes, aos punhados. Sandálias de borracha, coloridas, nos pés, pés descalços, de sola cor de chão, cor de breu, cor de almagre, cor de nada. Canivetes e canas de pesca, guitarras e nunus, baldes e pás, boias e barbatanas, óculos de ver o fundo do mar. Vi-nos a todos, aos nossos pais que partiram, aos nossos filhos que chegaram, numa reunião ímpar, sob o mesmo sol.

Voltar com tempo, seja por que motivo, ao lugar onde crescemos, ao lugar onde trocamos a chucha por um lápis, um gelado por um beijo, é voltar a nascer. A última noite num lugar, torna-se a primeira,descobre-se porque...

Uma parede velha que encontrei, em São Miguel. Um dia muito cedo em que acordei mais cedo ainda, para deambular pela ilha. Procurava a minha mãe e encontrei esta parede tão gasta como a dum mapa estelar. Foi a primeira percepção de que mais nada seria igual, a partir daquele mês. São desenhos do tempo e mapas de vida que vão servir de pano de fundo para alguns desenhos.

Já te tinha mandado,na altura em que as fotografei, mas hoje puxei-lhes a cor. 

Parece uma pintura rupestre pleidiana.

Paredes gastas, tintas sobrepostas, mil folhas de vida,  do vermelho que se fez rosa, do cobalto, amarelo. Mapa cósmico de existências coloridas, desmaios do tempo, interrupções repentinas e mortes frequentes. Um dia tudo acaba, no mesmo recomeça. Cortinas de noite, janelas de dia, estrelas que se apagam, mas brilham teimosas, por galáxias tão lentas como compreensivas. 

À velocidade do silêncio, nas cinzas dos dias, faz sol, até ser noite.

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Un vieux mur que j'ai trouvé à São Miguel. Un jour, très tôt...


Autant demander de partir en vélo acheter le pain à un tétraplégique ! Autant préconiser la clémence à un lion affamé ou à une souris face à la ville de Gruyère. Au fait, n’y a-t-il que des tapettes tout partout à Gruyère ?

Question bête comme nous saurons en poser. Et des moins futiles, et des plus métaphysiques !

C’est que Marc Weymuller m’a demandé d’ouvrir le premier édito du blog. Le blog singulier du Tempestaire et grand ouvert de la Constellation des intranquilles.

Existent des blogs pour les pêcheurs de truites en eaux vives. D’autres pour les pédicures (sous hypnose ou non), d’autres, des très spécifiques pour les amateurs de polars pygmées ou certains, plus ouverts, des blogs destinés aux tenants du prédicat en lieu et place de taxinomies grammaticales de toute façon toutes plus absconses les unes que les autres.

Le blog qui s’ouvre officiellement devant vos yeux et vos mains, c’est le blog des yeux et des mains. Aussi des oreilles. Le blog du désir, pas d’avenir, mais d...

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